• Bianca M. Guedes

Pesquisas efervescentes

Doutorandos do PPGEL/UFU publicam livros na interseção pandemia e análise de discurso


Bianca Mara Guedes e Giovanna Abelha


Conceição Maria Alves de Araújo Guisardi, Anísio Batista Pereira e Lucas Araujo Chagas participaram nesse ano da publicação de dois livros digitais em parceria com a Editora Syntagma: “Pesquisas efervescentes em linguagem e sociedade” e “Os discursos de um Brasil efervescente em tempos de pandemia”. Organizadores e autores de capítulos nesses livros, os três são do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Uberlândia (PPGEL/UFU) e toparam falar sobre esse processo de publicação. Além disso, o editor dos livros e professor do programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná - Hertez Wendel de Camargo, também fala sobre todo esse processo e a produção científica em tempos de pandemia.


Os dois e-books podem ser encontrados no site da editora Syntagma e são gratuitos. Acesse aqui.


Pergunta: Vocês poderiam nos contar um pouco sobre os livros? E como foi o processo de publicação?


Anísio: Tomei a iniciativa de submeter um resumo de organização de e-book para a editora Syntagma. Eu achei muito pertinente, porque a análise do discurso sempre estuda algo mais relacionado à atualidade. Tive o aceite. O tema que a gente achou muito fértil para esses e-books foi a pandemia. Tanto que nos dois títulos a pandemia que domina, em um deles fala pesquisas efervescentes. É o que está ocorrendo na atualidade. A gente reuniu os textos, [que são] muito bons, muito interessantes. De início era apenas um e-book, mas como o nosso intermediário da Syntagma nos disse que se reunisse um determinado número poderia dividir em dois e-books para uma melhor organização. [Os livros] Ficaram muito bacanas, bonitos e os prefácios foram feitos por pesquisadores aqui da UFU, um deles é o meu orientador [Prof. Dr. Cleudemar Alves Fernandes] e o prefácio do outro foi escrito pela orientadora da organizadora [Profa. Dra. Maria Aparecida Resende Ottoni]. Foi uma experiência muito bacana e eu considero muito importante para a universidade, para o programa de pós-linguística da UFU. Enfim, é um é um filho, digamos assim, né? Foi uma experiência muito legal dentro dessa atualidade em que estamos vivendo, complexa e que serviu de tema.


Conceição: Ah, foi muito interessante, porque a ideia inicial era a produção de um livro, que trouxesse em sua esteira, questões sociais, efervescidas no contexto pandêmico. No entanto, nós recebemos uma quantidade além da esperada para composição da obra. Assim, nós resolvemos dividir em dois exemplares, para não termos de recusar produções tão importantes que foram empreendidas pelos autores parceiros. O resultado foi emocionante, afetou-me, porque é bom saber que nós não estamos sós, que não negamos a potencialidade do vírus, que não negamos a importância da ciência, que temos consciência da polarização política, que separa os grupos sociais nesse país. Não dá pra falar de um livro sem mencionar o outro. Eu acredito que há uma dialética total entre eles. Os dois, sob o meu ponto de vista, caracterizam-se como uma séria, necessária e urgente discussão.


Lucas: Bom, pra mim também é muito bom falar sobre isso. Entrei nesse projeto a convite da Conceição e do Anísio. Me senti extremamente honrado, pelo convite, primeiro por vivenciar diretamente os efeitos da pandemia no desenvolvimento na minha pesquisa. E falar sobre pesquisa linguística em tempos de pandemia, talvez pudesse resolver algumas angústias que eu tinha naquele momento. Ao mesmo tempo, me colocar em contato, em diálogo, com diferentes pesquisadores. Foi deslumbrante. Até porque ao ler os textos e ao ter contato com as temáticas, [foi] como se eu tivesse vivendo uma retrospectiva de 2020. É uma retrospectiva que me deixou muito feliz porque cheguei ao final do ano tendo uma ligeira sensação de que o simples fato de ter sobrevivido, me traz um de status de guerreiro, né? Já me traz um status de felicidade, por ser um sobrevivente desse ano. Um dos textos que está no segundo livro, chamado Pandemia linguística: os retratos de um Brasil pandêmico, a partir da psicanálise tentei significar isso que a gente está vivendo. Nós temos o privilégio de trazer à tona um volume voltado para questões linguísticas, questões de linguagem. No momento em que eu diria que as pesquisas linguísticas, elas têm sido pouco evidenciadas, tanto no discurso midiático, quanto nos discursos sociais, mas ela está a todo vapor nas universidades.


Pergunta: Quando Conceição, Lucas e Anísio buscaram a editora Syntagma com a ideia de publicar um livro na interface pandemia e linguística, qual foi sua reação?


Hertez: Olha, a minha reação foi de que é era uma boa ideia, porque o que está rolando agora no Brasil e no mundo é um tema muito vivo, é um tema que está na cara da gente. E quando eles vieram com essa proposta, eu pensei: “Nossa a editora vai adorar esse projeto”. Aliás, foi o único projeto relacionado diretamente à pandemia, que a editora tratou este ano.


Pergunta: Como foi seu envolvimento no processo?


Hertez: Eu sou contratado da editora para poder acompanhar os projetos editoriais, principalmente os projetos de coletânea. E logo que eu vi a ideia, eu já gostei. Então, começa o processo de orientação dos autores desde o primeiro contato, desde o primeiro e-mail que a editora responde. O meu envolvimento com o projeto se deu nesse nível. Eu sou um editor contratado pela editora para tocar projetos especiais, principalmente aqueles que têm a ver com o meio acadêmico. E por que a editora faz isso? Porque ela se sente melhor tendo um professor, pesquisador. No princípio foi, claro, um envolvimento bastante técnico. Mas a Conceição, o Lucas e o Anísio são pessoas, assim, muito boas de se lidar. E quando você se conecta com as pessoas, você se conecta com as ideias e os projetos delas. E aí, o meu envolvimento também foi pessoal, porque parecia que eu era também um dos organizadores. Não sou, mas eu apoiei o tempo todo, sempre discutindo. Todos os desafios e problemas que surgiram, discutimos juntos.


Pergunta: Como foi todo o processo de pensar esses livros digitais? Quanto tempo levou? Quantas pessoas estiveram envolvidas?


Hertez: Olha, desde quando chegam as informações, os capítulos, os prefácios, o tempo que a nossa editora resolve um e-book leva até três meses. Esse processo, se não me engano, começou em julho e acabou virando seis meses. O processo começa no edital, começa na seleção e nas cartas de aceite. Então, começamos a conversar em julho, e tivemos o tempo de mais ou menos um mês para divulgação do edital. No começo de setembro as pessoas mandaram as suas propostas em resumo. Pelo resumo a gente fazia a carta de aceite ou não, depois a pessoa tinha um prazo para enviar os artigos completos. Então, nós tivemos aí três meses (outubro, novembro e dezembro) para fazer a conclusão do livro. O livro, em si, quando chega todo o material, ele leva três meses, mas temos que considerar que tem edital, seleção, carta de aceite, processo seletivo e prazo para enviar o texto completo. Por causa disso sempre acontece algum atraso. No total, os principais envolvidos, que são os três organizadores que conversam com os autores, que convidam, selecionam o material que vai entrar, colocam na ordem que eles acham interessante. A presença do organizador de um livro é fundamental, sem ele não conseguimos lançar nenhuma coletânea. Depois tem a figura do editor, que sou eu, que está o tempo todo em contato com os organizadores e resolvendo problemas, ainda temos, por exemplo, o envolvimento de pessoas do conselho editorial da editora. Nós temos parceria com várias universidades públicas e privadas, e esses conselheiros são professores doutores. Nós temos, hoje, doze conselheiros no conselho editorial. Sempre mandamos o material para dois deles, que dão um parecer positivo ou negativo, ou ainda pedem para fazer algum tipo de modificação. Então são dois conselheiros, a diagramadora, um diagramador, um designer, um revisor, depois os organizadores e um editor. Esse é o número mínimo para poder se produzir um e-book.


Pergunta: Como está sendo sua experiência com a produção acadêmica nesse período?


Hertez: Ela foi muito doida! Este ano, por incrível que pareça, a produção acadêmica foi muito alta; a minha, pelo menos, foi. Só em 2020 foram seis artigos científicos publicados em periódicos acadêmicos e revistas científicas. Fora isso, eu também participei do projeto do Anísio, da Conceição e do Lucas. Então, também escrevi um capítulo no livro. Eu estava dando aula online ainda, orientando TCC, mestrado, doutorado e ainda tive tempo de parar e escrever um artigo. Além disso, convidei uma colega da Argentina, uma pesquisadora, para escrever em espanhol um texto pro livro dos meninos. O que eu falo sempre é que “damos um jeito”; e a técnica é trabalhar em equipe, não adianta. Mas como eu falei, desses artigos que eu publiquei, a maioria foram feitos em parceria. Eu tenho consciência que se eu fizesse sozinho os artigos, eu não teria conseguido. Então, primeiro: é bom a gente escrever com outras pessoas, porque a gente aprende com elas; segundo: é bom conversar e publicar junto com pessoas de outros programas de pós-graduação. Isso é importante. De livro organizado, esse ano eu publiquei sete livros organizados, menos um [em] que eu não publiquei, só organizei. Foi um ano muito produtivo. E dando aula ainda, fechando agora uma aula de dezembro com os alunos de graduação, TCCs foram defendidos. E banca de mestrado, banca de qualificação e defesa de mestrado e doutorado, eu perdi a conta de quantas participei esse ano. Incrivelmente, a Syntagma teve um movimento muito grande. Este ano parece que essa questão da pandemia mexeu muito com os pesquisadores, os instigou muito a serem críticos a olharem para o que está acontecendo.

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